Call of Duty: Black Ops 7 (COB7) chegou ao mercado envolto em uma das maiores controvérsias da história recente da franquia. A aposta em uma ambientação futurista, a concorrência acirrada no gênero e o uso polêmico de inteligência artificial geraram reações divididas entre críticos e jogadores.
Diante desse cenário, muitas perguntas surgem. O título é realmente o desastre que a internet pintou? Ou será que o ódio generalizado acaba ofuscando suas qualidades legítimas?
A seguir, apresentamos nossa análise detalhada. Agradecemos à Activision por fornecer a chave de review para PlayStation 5, o que tornou esta avaliação possível.
⚙️ Análise de Gameplay: A Essência Futurista
A resistência da comunidade à temática futurista em FPS é notória. Quando a Activision confirmou que Black Ops 7 daria continuidade à saga futurista, a frustração foi imediata.
No entanto, a beta já indicava que, apesar do cenário de ficção científica, o jogo não fugiria de sua essência Call of Duty. Traz trocas de tiro frenéticas, Time-to-Kill rápido e alta mobilidade. Os desenvolvedores deixaram de lado elementos que incomodaram em títulos passados, como a corrida na parede. Assim, focaram em um gunplay sólido. Apesar das críticas, a Campanha possui sim missões bem interessantes, com um design de fases criativo em alguns pontos.
O problema de CODBO7 não está no “futuro”, mas sim na forma como a experiência distribui o conteúdo. A essência do shooter frenético que tanto amamos está intacta no Multiplayer. Porém, sufoca-se em uma campanha estranha e mal executada.
💔 A Campanha: Conexão Obrigatória e Furos Narrativos
A campanha de Black Ops 7 é, sem dúvida, o ponto mais fraco e a principal fonte de críticas. Ela é caótica, confusa. Além disso, os desenvolvedores tomaram decisões de design que a tornam dolorosamente impraticável.

A Experiência ‘Sempre Online’
A decisão de tornar a campanha 100% online é um tiro no pé. Mesmo jogando solo, a necessidade de manter uma conexão ininterrupta impede que o jogador possa até mesmo pausar o jogo. Além disso, experimentei lags constantes, o que é altamente frustrante para quem busca uma campanha solo imersiva. Para um modo história que exige imersão, consequentemente, essa limitação quebra totalmente o ritmo e a acessibilidade, gerando frustrações desnecessárias.
História e Gameplay Psicodélico de Call of Duty: Black Ops 7
A narrativa continua a loucura de Black Ops 6, centrada na arma biológica “O Berço”. Somos jogados em cenários psicodélicos, memórias distorcidas e ilusões, resultado da contaminação do Berço na equipe de David Mason. Sentimos que os roteiristas não se preocuparam em costurar a história com o lore da franquia. Isso resulta em furos de roteiro notáveis e personagens superficiais.
A variedade de inimigos é sofrível. Passamos a maior parte do tempo atirando em robôs genéricos ou “inimigos de fumaça” ilusórios. Em vários momentos, senti que estava em um mix constante de modo Zumbi com Campanha, dada a natureza repetitiva e artificial dos adversários. Os chefes são ainda piores. Eles seguem o estilo com barras de vida gigantescas. E o pior, culminam em um chefe final que exige batalhas longas demais, principalmente para um FPS com rítmo frenético como CoD.
O sistema de níveis de armas e inimigos é falho. Se você estiver com um armamento de nível baixo, os inimigos se transformam em “esponjas de balas”. Portanto, você precisa descarregar pentes inteiros para abater um simples bot, além de se preocupar em reabastecer as munições.
🥇 O Fim da Jornada (Endgame)
Se a campanha é um desastre, por outro lado, o modo “Fim da Jornada” é o grande trunfo de COB7. Tem potencial para definir o futuro da franquia.
Este modo endgame é uma mistura de Warzone, Zombies e elementos PVE (Jogador vs. Ambiente). O jogador é enviado a Avalon, uma vasta região aberta dividida em quatro áreas com dificuldade crescente. A área é repleta de missões e ameaças únicas.
- Progressão Robusta: A progressão é contínua e viciante. Você mantém o nível das armas, avança em árvores de habilidades e desbloqueia camuflagens exclusivas.
- Loop de Jogo Viciante: O jogador escolhe o operador e o armamento. Em seguida, salta em Avalon e tem 45 minutos para completar objetivos e extrair com sucesso. Além disso, extrair com vida é a chave. Isso garante que seu progresso e loot mantenham-se para a próxima incursão, incentivando o jogador a arriscar-se.
- Conteúdo PVE de Qualidade: Em suma, este modo endgame é robusto e bem pensado. Ele oferece longevidade e uma experiência PVE muito mais rica do que a campanha principal.
🕹️ Multiplayer e Zombies: A Receita Que Funciona

Para os fãs puristas de Call of Duty, felizmente, o Multiplayer e o modo Zombies salvam a experiência geral do jogo.
O Multiplayer segue o padrão de excelência de COD. Oferece mapas fechados, alta mobilidade e combates intensos que satisfazem os jogadores veteranos. No entanto, o jogo recicla assets e mapas clássicos de outros títulos da série Black Ops. Para alguns jogadores que ainda não se adaptaram à jogabilidade frenética, isso pode ser um ponto positivo por trazer familiaridade. Contudo, é um ponto negativo para quem busca novidades em um título vendido a preço cheio (full price).
O modo Zombies, por sua vez, expandiu-se drasticamente. A Activision trouxe um mapa gigantesco, o maior já visto na franquia, com um sistema PVE aprofundado. Os jogadores enfrentam ondas de mortos-vivos cada vez mais difíceis, cumprindo missões complexas e caçando easter eggs escondidos que, tradicionalmente, se desdobram em narrativas ricas. É um conteúdo robusto, perfeito para quem busca desafios cooperativos, a sensação clássica de hordas e longevidade. Oferece, assim, um mapa gigantesco com ainda mais missões e easter eggs para quem adora a caça.
⚠️ Detalhes e Controvérsias: A Polêmica da IA
A riqueza de um FPS mora nos detalhes, e é aqui que Black Ops 7 falha. As animações são simples e “travadas”. A Inteligência Artificial inimiga é inconsistente. Os inimigos não demonstram reação satisfatória ao serem atingidos. Somado a isso, às vezes parece que até a dublagem foi feita por IA, com várias cenas carecendo da expressão necessária na voz. Portanto, falta o tradicional peso e feedback que sempre foram um diferencial de Call of Duty.
A falta de opções básicas prejudica o jogo. Não há capacidade de jogar offline nem ausência de split screen (tela dividida) para a Campanha ou Endgame. Para uma campanha que já exige conexão constante, a adição de um modo split screen cooperativo seria um diferencial interessante e minimizaria a frustração do online obrigatório. Além disso, isso torna o jogo menos amigável para quem joga em casa com amigos.
A polêmica sobre o uso de IA generativa em vários elementos visuais do jogo levanta sérias questões. Tais questões envolvem o controle de qualidade e a dedicação da equipe de desenvolvimento aos detalhes artísticos.
Vale a Pena?: Com uma campanha irregular e mudanças que dividem opiniões, Black Ops 7 conquista um novo público, mas pode frustrar os puristas da série. Uma aposta arriscada que nem sempre acerta. – Sanderson
Call of Duty: Black Ops 7 foi lançado em 14 de novembro de 2025.
Plataformas:
- PlayStation 5 e PlayStation 4
- Xbox Series X|S e Xbox One
- PC (via Steam, Battle.net e Xbox App)