PRAGMATA

Reviews

PRAGMATA Vale a Pena? REVIEW

Desenvolvido e publicado pela Capcom | PS5 · Xbox Series X/S · Nintendo Switch 2 · PC
Classificação indicativa: 12 anos | Testado no: PlayStation 5 Pro


Introdução

A Capcom vive um de seus melhores momentos na história. Nos últimos anos, a empresa entregou título após título de altíssima qualidade — e Pragmata chega para confirmar que esse bom momento não é coincidência. Lançado em sequência a Resident Evil Hacking, o game surpreende por ser ao mesmo tempo original, emocionante e extremamente bem executado.

Este é um jogo que eu recomendo sem ressalvas. Não é “bom para quem gosta do gênero” ou “interessante, mas com ressalvas”. É simplesmente um jogo excelente, que qualquer fã de ação e aventura vai curtir do início ao fim.


Universo e contexto narrativo

A história de Pragmata se passa em um futuro não muito distante. A humanidade descobriu um minério chamado lunum, que deu origem ao desenvolvimento do lunafilamento — um material revolucionário capaz de replicar qualquer objeto ou estrutura, desde que os dados do que se deseja reproduzir estejam disponíveis. Com essa tecnologia, foi construída uma estação de pesquisa lunar dedicada ao estudo e ao avanço do lunafilamento.

Tudo muda quando, sem qualquer aviso, todos os sinais da estação cessam abruptamente. Uma equipe de investigação é enviada à Lua imediatamente — e ao chegar, se depara com um terremoto lunar de grande magnitude. No caos que se segue, o protagonista Hugh Williams se separa de seus companheiros. Desacordado e gravemente ferido, ele é resgatado por uma figura inesperada: um androide com aparência de uma garotinha.

Ela é um Pragmata — criada a partir do próprio lunafilamento. E é justamente essa criança, chamada Diana, que vai mudar tudo.

Essa premissa estabelece uma dualidade fascinante: de um lado, Hugh, um soldado experiente com armadura avançada e armamento pesado; do outro, Diana, uma criança (ou algo que aparenta ser uma criança) com capacidades que vão muito além do que parecem. A relação entre os dois é o coração emocional do jogo — e a narrativa sabe exatamente como explorá-la.

A história é envolvente do início ao fim. Marcante, tocante e muito bem construída, ela sozinha já justifica jogar Pragmata. Sem entrar em detalhes para não estragar a experiência de ninguém, basta dizer que a narrativa surpreende e emociona nos momentos certos.


Sistema de combate

O combate de Pragmata é onde o jogo mais brilha. Hugh tem acesso a armas de fogo convencionais e algumas armas especiais, mas há um problema: sozinho, ele causa pouco dano aos inimigos — robôs controlados pela inteligência artificial que tomou conta da base lunar. Para atacar com eficácia, ele precisa da Diana.

Diana é capaz de hackear os inimigos em tempo real, abrindo suas defesas e criando janelas de vulnerabilidade para que Hugh possa atacar. Esse sistema de hackeamento não é estático: ele evolui ao longo do jogo, com novos nodos que permitem causar paralisia, confusão, dano amplificado e muito mais.

O resultado é um combate dinâmico, que exige que o jogador pense em duas frentes ao mesmo tempo — gerenciar as armas e conduzir o hack com estratégia. Além disso, Hugh pode esquivar de ataques e, conforme avança, desbloqueia ações especiais que ampliam ainda mais as possibilidades táticas.

O jogo libera novos poderes e mecânicas com frequência, garantindo que o sistema nunca fique obsoleto ou monótono. É um dos sistemas de combate mais criativos e divertidos que experimentei nos últimos tempos.


Exploração e progressão

O gameplay não se resume ao combate. A exploração da base lunar tem um papel importante na experiência: é possível encontrar documentos que revelam o que aconteceu na estação antes da catástrofe, além de itens e melhorias que fortalecem os personagens.

Os cenários, embora possam ficar um pouco repetitivos visualmente em determinados trechos, têm sempre algo novo a oferecer — e alguns momentos específicos da jornada são simplesmente memoráveis (sem spoilers, é claro). A variedade de inimigos e chefes também contribui para manter o jogo fresco até o final. Nunca há a sensação de que você está repetindo a mesma coisa — sempre há uma novidade logo à frente.


Áudio e localização

Pragmata é um jogo que soa tão bem quanto parece. A trilha sonora foi composta para reforçar cada emoção da narrativa: há músicas que amplificam a tensão do combate, outras que acompanham os momentos mais íntimos da história, e tudo funciona em harmonia perfeita com o que acontece na tela. Os efeitos sonoros — tiros, explosões, impactos — são precisos e têm peso real.

Um ponto que merece destaque especial é a localização em português brasileiro. O jogo está completamente traduzido, tanto em legendas quanto em dublagem, e o elenco brasileiro entregou um trabalho excepcional. Os dubladores honraram a profundidade dos personagens com interpretações à altura da história — algo nem sempre garantido em localizações de jogos, mas que aqui foi tratado com todo o cuidado que a obra merece.

Idiomas disponíveis
DublagemJaponês, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol europeu, coreano, espanhol latino-americano, português brasileiro, russo, chinês
LegendasJaponês, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol europeu, coreano, espanhol latino-americano, português brasileiro, russo, polonês, árabe, chinês simplificado, chinês tradicional

Gráficos e direção de arte

Visualmente, Pragmata não é o jogo mais impressionante tecnicamente falando, mas tem uma direção de arte consistente e competente. A modelagem dos personagens é bem executada — Diana, em especial, tem um nível de detalhe notável, incluindo a renderização dos cabelos, que costuma ser um dos elementos mais difíceis de acertar em personagens 3D.

Os ambientes da base lunar transmitem bem a sensação de isolamento e abandono que a narrativa pede. Alguns trechos da campanha apresentam cenários que fogem do padrão e surpreendem visualmente — mas falar mais do que isso seria spoiler.


Duração e ritmo

A campanha principal leva entre 12 e 13 horas para ser concluída. Vale observar que o contador interno do jogo (assim como acontece com a franquia Resident Evil) não contabiliza o tempo das cutscenes — por isso, o tempo exibido ao final pode parecer menor do que o real.

Essa duração é ideal para o tipo de experiência que Pragmata propõe. O jogo não estica artificialmente seu conteúdo: cada hora jogada tem propósito, e quando os créditos sobem, a sensação é de que o tempo foi exatamente o certo — nem curto demais para frustrar, nem longo demais para cansar.


Pontos positivos e negativos

Pontos positivos:

  • Sistema de combate original, dinâmico e envolvente
  • História tocante e muito bem construída
  • Dublagem em português brasileiro de altíssimo nível
  • Trilha sonora perfeitamente integrada à narrativa
  • Ritmo impecável — sem momentos de fadiga
  • Ótima variedade de inimigos e chefes
  • Progressão de poderes bem distribuída ao longo da campanha

Pontos negativos:

  • Cenários internos da base lunar podem ficar repetitivos visualmente
  • Gráficos competentes, mas não extraordinários
  • A duração pode parecer curta para quem prefere RPGs mais longos

PRAGMATA Vale a Pena?: Pragmata é uma das melhores surpresas da Capcom em anos. Com combate criativo, narrativa emocionante e localização impecável, o jogo entrega uma experiência completa e memorável. É bom para qualquer fã de ação e aventura. Se você ainda não jogou, não tem desculpa para deixar esse passar. Sanderson

9
von 10
2026-04-26T20:07:43-03:00
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