⚠️ Aviso: Esta análise foi realizada com base em uma cópia digital de Aphelion para PS5, gentilmente cedida pelo estúdio Don’t Nod para fins jornalísticos. Agradecemos imensamente pela confiança. O conteúdo editorial a seguir é completamente independente e reflete exclusivamente nossa opinião.
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🎮 Ficha Técnica
| Título | Aphelion |
| Desenvolvedor | Don’t Nod |
| Plataformas | PS5, Xbox Series X|S, PC (Steam) |
| Lançamento | 28 de abril de 2026 |
| Gênero | Aventura narrativa / Ficção científica |
| Duração | Aproximadamente 10–12 horas |
| Versão analisada | PS5 (código fornecido pelo estúdio) |

Aphelion (PS5) — Ficção Científica Emocionante Que Tropeça em Mecânicas do Passado
A Don’t Nod, estúdio responsável por títulos aclamados como Life is Strange e Lost Records: Bloom & Rage, volta a apostar em narrativas carregadas de emoção. Desta vez, a aventura leva o jogador à superfície gelada de um planeta alienígena em busca da sobrevivência da humanidade. Aphelion chega com visuais impressionantes, trilha sonora marcante e uma história que cativa — mas também carrega tropeços mecânicos que insistem em lembrar que o jogo poderia ser ainda mais do que é.
🌌 Uma Missão Entre Estrelas — e Entre Corações
O ano é 2060. A Terra, exaurida pelo descaso humano, está à beira da inhabitabilidade. Diante desse cenário sombrio, a Agência Espacial Europeia (ESA) lança a missão Hope-01: uma expedição científica ao planeta Persephone, um mundo distante com potencial para abrigar a espécie humana. À frente dessa missão estão dois de seus astronautas mais condecorados — Ariane e Thomas.
Logo de início, porém, as coisas saem do controle. A nave de Hope-01 sofre um acidente catastrófico, e Ariane acorda sozinha nos destroços. A partir desse ponto, Aphelion estrutura sua narrativa de forma dual: enquanto Ariane enfrenta os perigos físicos da superfície congelada, Thomas lida com sua própria sobrevivência em outro ponto do planeta, limitado por uma lesão.
Além disso, o jogo funciona como uma história de amor às avessas — dois cientistas que precisam suprimir seus sentimentos em nome da missão, mas que, justamente por isso, tornam-se ainda mais humanos aos olhos do jogador. A Don’t Nod demonstra, mais uma vez, sua capacidade de tecer relacionamentos complexos dentro de cenários fantásticos.

🎨 Persephone é Deslumbrante — Unreal Engine 5 em Ação
Do ponto de vista técnico e estético, Aphelion impressiona. O jogo é construído sobre a Unreal Engine 5, e faz bom uso dessa tecnologia para apresentar Persephone como um mundo vivo e hostil. Geleiras colossal e fendilhadas, montanhas cobertas de gelo e cavernas com iluminação bioluminescente criam uma atmosfera que mistura beleza e ameaça de forma consistente.
Os modelos dos personagens também receberam atenção especial. As animações faciais de Ariane e Thomas capturam nuances sutis de emoção, complementando as excelentes atuações de voz — um diferencial que eleva consideravelmente a experiência narrativa. Sem dúvida, este é um dos jogos mais visualmente coesos lançados em 2026.
Entretanto, é importante mencionar que Aphelion roda a 30 quadros por segundo — inclusive na versão PS5 Pro. Para um jogo essencialmente cinematográfico e de ritmo lento, essa escolha não chega a ser um problema grave. O estúdio optou por um sistema de motion blur que ameniza a percepção de travamento, especialmente em telas OLED. Ainda assim, a ausência de um modo de desempenho é uma ausência sentida.

🕹️ Jogabilidade: Sólida, mas Presa no Passado
É aqui que Aphelion revela suas maiores contradições. Enquanto a narrativa e os visuais apontam para um estúdio em plena maturidade criativa, a jogabilidade frequentemente remete a fórmulas de gerações anteriores.
Ao controlar Ariane, o jogador enfrenta sequências de plataforma inspiradas em títulos como Uncharted e Tomb Raider: escaladas, saltos cronometrados e o uso de um gancho para transpor distâncias. Funcionalmente, esses momentos cumprem seu papel — mas raramente empolgam. O sistema de “plataforma ativa”, que exige pressionar um botão para se agarrar às bordas, deveria gerar tensão; na prática, porém, a janela de tempo é tão generosa que elimina quase todo o risco.
Já os segmentos de furtividade são o ponto mais fraco do jogo. As criaturas que habitam Persephone — chamadas de Nemesis — detectam apenas sons, tornando as seções de stealth previsíveis e, por vezes, exaustivas. Quando Ariane é capturada, a morte é imediata. Isso, combinado a controles ocasionalmente imprecisos, transforma algumas dessas sequências em exercícios de frustração.
Por outro lado, os capítulos com Thomas oferecem um contraponto bem-vindo: mais lentos, introspectivos e centrados em puzzles ambientais, eles equilibram o ritmo da aventura e aprofundam a construção do universo do jogo.
Aphelion é uma aventura narrativa sólida que prioriza linearidade e espetáculo acima de tudo. Embora a dinâmica interpersonal entre os protagonistas seja envolvente, as falhas técnicas e as seções de furtividade datadas fazem muito para minar suas qualidades mais impressionantes.

🎵 Trilha Sonora: Uma das Melhores do Ano
Se há um elemento que merece reconhecimento especial, é a trilha sonora de Aphelion. Composta por Amine Bouhafa — responsável também pela obra premiada The Summit of the Gods —, a música do jogo combina cordas orquestrais, órgãos evocativos e texturas ambientais para criar uma atmosfera que envolve o jogador de forma quase física. Em determinados momentos de exploração, a trilha recua para dar lugar ao áudio ambiente, e essa decisão revela um cuidado estético refinado.
Além disso, a dublagem dos protagonistas é consistente e emotiva. Tanto Ariane quanto Thomas são interpretados por atores que demonstram amplitude emocional genuína — um fator decisivo para que o roteiro funcione como deveria.
Pontos Positivos e Pontos Negativos
✅ Pontos Positivos
- Narrativa envolvente e emocionalmente rica
- Visuais impressionantes com Unreal Engine 5
- Trilha sonora excepcional de Amine Bouhafa
- Atuações vocais convincentes e bem dirigidas
- Estrutura dual com dois estilos de gameplay complementares
- Ambientação atmosférica e imersiva
- Duração adequada (10–12 horas)
❌ Pontos Negativos
- Mecânicas de plataforma sem tensão real
- Seções de furtividade repetitivas e datadas
- Bugs de animação ocasionais
- Monólogos excessivos que quebram o ritmo narrativo
Aphelion Vale a Pena?: Aphelion entrega uma narrativa envolvente e visuais marcantes, sendo uma recomendação certeira para fãs de aventuras lineares como Uncharted ou The Invincible. No entanto, o brilho da história é ofuscado por limitações técnicas, mecânicas pouco inovadoras e seções de stealth frustrantes. No fim das contas, é uma experiência recompensadora pelo enredo, mas que acaba limitada por uma jogabilidade que não acompanha a altura de sua ambição narrativa. – Sanderson
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